Sabão é alternativa de reaproveitamento do óleo de cozinha
Quinta-feira Agosto 21st 2008, 01:44
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O descarte do óleo é apenas uma pequena parte do grande problema relacionado à geração de lixo no mundo. Tratar lixo é caro e, quando não tratado, há um forte impacto ambiental. Por isso, o Instituto Akatu procura mostrar ao consumidor a oportunidade que ele tem, ao mudar seus hábitos, de contribuir para a sustentabilidade do planeta - gerando o mínimo de lixo possível e reaproveitando ao máximo os produtos antes de descartá-los.

No caso do óleo de cozinha usado em frituras, a possibilidade mais concreta para evitar seu despejo na natureza é reaproveitá-lo fazendo sabão (veja a receita abaixo). A dona-de-casa Maria Bassi Massulini, moradora de Santos-SP, há tempos adota essa atitude consciente. “Sempre tive muito dó de pensar que o óleo descartado pudesse ir para o canal e poluir a praia”, conta. Ela aprendeu a fazer sabão a partir da gordura há 30 anos com sua sogra.

Na época em que era vizinha de uma barraquinha de pastéis, Maria conta que reaproveitava todo o óleo que podia. “Rendia tanto sabão que acabava servindo para todo mundo”, lembra. Ela até chegou a dar uma dica muito válida para quem se interessar em fazer o sabão: “quanto mais tempo ele curtir, melhor, limpa mais”. Outra recomendação importante é ter muito cuidado ao misturar a soda com a água. "O melhor é usar luvas, pois a soda pode queimar se entrar em contato com a pele", recomenda ela. O ideal também é usar utensílios de madeira ou plástico para preparar a mistura e deixar o sabão curtir por no mínimo três meses, para que não ofereça riscos à pele.

Além do sabão, o consumidor consciente tem outra alternativa: doar - ou mesmo vender - o óleo usado para instituições e empresas que se encarregam de reutilizar o produto. Um exemplo disso é o trabalho da Ação Triângulo, OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) com sede na cidade paulista de Santo André.

Todos os meses, seus 60 agentes socioambientais visitam 60 mil residências em diversos bairros de cidades do ABC paulista (que engloba as cidade de Santo André, São Bernardo e São Caetano) para recolher o óleo de cozinha. Com as cinco toneladas de material recolhidas mensalmente, são produzidos, na própria usina da organização, sabões em pedra e sabonetes que, posteriormente, serão vendidos para custear as ações ambientais, sociais e de consumo consciente desenvolvidas pela entidade.


A equipe de campo da Ação Triângulo
O projeto, denominado "Casa a Casa", começou há quase quatro anos e hoje conta com o patrocínio da Petrobrás. Segundo o coordenador de comunicação da Ação Triângulo, Adriano Ferreira Calhan, o projeto faz com que as pessoas sejam sensibilizadas em rede sobre os impactos do seu consumo. “As pessoas acabam parando para pensar a respeito do ciclo de vida daquilo que elas consomem”, diz ele.

Além do óleo, os agentes recolhem também pilhas e baterias. Para quem mora na capital paulista ou na sua região metropolitana, é possível também agendar a retirada do material, desde que a quantidade seja superior a três litros.

Em Ribeirão Preto e região, no interior paulista, o óleo de cozinha também pode ser doado. O Projeto “Biodiesel em casa e nas escolas”, desenvolvido pelo Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Limpas do Departamento de Química da USP de Ribeirão Preto, visa a produzir biodiesel por meio do óleo usado nas frituras e tem parceria com as lojas do Carrefour (parceiro mantenedor do Instituto Akatu) da cidade de Ribeirão Preto e com algumas escolas da rede pública de ensino. Além de Ribeirão, as cidades da região que têm escolas cadastradas no projeto são Sertãozinho, São Carlos, Araraquara, Batatais e Pradópolis. No caso das lojas de supermercado, quem levar quatro litros de óleo usado, ganha um litro de óleo novo. Já nas escolas, os alunos que levam o material concorrem a uma bicicleta.

No Rio de Janeiro há outro projeto de pesquisa sobre o uso do óleo como combustível. O Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Estudos de Engenharia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), também conhecido como COPPE, desde de 2002 realiza um trabalho, sob coordenação do professor Alexandre D’Avignon, que visa a tornar viável o uso de óleo de cozinha para a produção do biodiesel. A tecnologia já existe, o que falta apenas é uma regulamentação governamental.

Segundo a professora do Departamento de Tecnologia de Alimentos e do Laboratório de Óleos e Gorduras da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) na Europa há equipamentos para adaptar carros de forma que funcionem diretamente com óleo de cozinha. Ela também faz um alerta: “Na Europa é comum o óleo de cozinha ser usado como aditivo nas rações de animais. Isso é altamente tóxico e o maior prejudicado é o ser humano que irá consumir a carne desses animais”.

Receita de sabão a partir do óleo de cozinha  - por Maria Bassi Massulini

Material utilizado
- 5 litros de óleo comestível usado
- 2 litros de água
- 200 ml de amaciante
- 1 Kg de soda cáustica em escama(NaOH)

Passo-a-passo
1- Coloque a soda em escamas no fundo do balde cuidadosamente.
2- Coloque, com cuidado, a água fervendo. Mexa até diluir todas as escamas da soda.
3- Adicione o óleo cuidadosamente. Mexa.
4- Adicione o amaciante. Mexa novamente.
5- Mexa até formar uma mistura homogênea.
6- Jogue a mistura em uma fôrma e espere secar bastante.
7- Corte as barras e pronto!

Dica
Quanto mais o sabão curtir, melhor ele fica.

Todo cuidado é pouco. Se a soda entrar em contato com a pele, pode provocar queimaduras.



Padrinho Do Reaproveitamento de Alimentos
Sexta-feira Agosto 15th 2008, 14:33
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Nascido em Recife, em 1908. Formado em Medicina pela Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil, em 1929.Livre-docente de Fisiologia da Faculdade de Medicina do Recife, 1932; Professor Catedrático de Geografia Humana da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais do Recife, 1933 a 1935; Professor Catedrático de Antropologia da Universidade do Distrito Federal, 1935 a 1938; Professor Catedrático de Geografia Humana da Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, 1940 a 1964.Convidado oficial do Governo Italiano para realizar um ciclo de conferências nas Universidades de Roma e Nápoles sobre "Os Problemas de Aclimatação Humana nos Trópicos", 1939.Convidado oficial de Governos de vários países para estudar problemas de alimentação e nutrição. Entre eles : Argentina (l942), Estados Unidos (l943), República Dominicana (l945) , México (l945), França (l947).Chefe da Comissão que realizou o inquérito sobre as Condições de Vida das Classes Operárias do Recife (primeiro inquérito desta natureza levado a efeito no país), 1933.Membro da "Comissão de Inquérito para Estudo da Alimentação do Povo Brasileiro", realizado pelo Departamento Nacional de Saúde, 1936. Detentor do Prêmio Pandiá Calógeras, 1937.ldealizador, Organizador e Diretor do Serviço Central de Alimentação, depois transformado no Serviço de Alimentação da Previdência Social (SAPS ), 1939 e 1941.Presidente da Sociedade Brasileira de Alimentação, 1942 a 1944.Idealizador e Diretor do Instituto de Nutrição da Universidade do Brasil, 1946.Prêmio José Veríssimo da Academia Brasileira de Letras, 1946.Delegado do Brasil na "Conferência de Alimentação e Agricultura das Nações Unidas,", convocado pela FAO (Food and Agriculture Organization) agosto de 1947.Membro do "Comitê Consultivo Pennanente de Nutrição", da FAO, 1947.Professor Honoris-Causa da Universidade de Santo Domingos, República Dominicana, 1945; da Universidade de San Marcos, Lima, 1950; da Universidade de Engenharia, Lirna, 1965.

 Organizada pelo IBASE, FASE e pela Família Josué de Castro (19/09/83)
Sessão de abertura sob a Presidência do então Vice Governador Professor Darcy Ribeiro
Presidente do Conselho da Organização para Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO), 1952 e 1956.Presidente da Associação Mundial de Luta Contra a Fome (ASCOFAM)."Prêmio Roosevelt" da Academia de Ciências Políticas dos EUA, 1952."Grande Medalha da Cidade de Paris", 1953."Prêmio Internacional da Paz", 1954.Grande Cruz do Mérito Médico, Brasil."Oficial da Legião de Honra", França, 1955Presidente eleito do Comitê Governamental da Campanha de Luta Contra a Fome, ONU, 1960.Deputado Federal pelo Estado de Pernambuco, 1954 a 1962.Embaixador do Brasil na ONU, em Genebra, 1962 a 1964.Demitiu-se em virtude do golpe militar de 31 de março de 1964 que, através do Ato Institucional Nº.1, lhe cassaria os direitos políticos, em 09 de abril do mesmo ano.Detentor da "Ordem de Andrés Bello" do Governo da Venezuela, 1968.Membro de várias Associações e Academias no Brasil e no Exterior.Fundador e Presidente do Centro Internacional para o Desenvolvimento - (CID) , Paris, 1965 - 1973Presidente da Associação Médica Internacional para o Estudo e Condições de Vida e Saúde (AMIEV), 1970. - Professor Estrangeiro Associado ao Centro Universitário Experimental de Vincennes, Universidade de Paris, 1968 a 1973.Exilado na França, faleceu em Paris em 24 de setembro de 1973.




Reaproveitar alimentos é saída para fome
Sábado Agosto 09th 2008, 23:15
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O desperdício de alimentos é um dos fatores que contribuem para a fome no País. Somente na Central de Abastecimento do Ceará (Ceasa), cerca de seis toneladas de alimentos são desperdiçadas. Esses alimentos não são estragados, mas sim frutas maduras e verduras que poderiam compor a dieta de pessoas carentes.

A educação é um fator essencial até para o trato com os alimentos. Muitas entidades lutam para evitar o desperdício de alimentos, utilizando como ferramenta o reaproveitamento integral de frutas e verduras. Com um pouco de criatividade, o que antes tinha como destino o lixo, passa a ser a refeição principal de muitas famílias. A nutricionista Gorete Pereira afirma que é possível criar várias receitas com cascas de frutas e outros alimentos que não são considerados nobres.

O abacaxi, a abóbora e até a farinha de mandioca ganham novas atribuições com as receitas de reaproveitamento. As sobremesas são as principais opções para a utilização do material ainda não aproveitado. Bolos e doces ganham um sabor especial com o acréscimo desses ingredientes e não perdem o principal atrativo: o sabor.

O reaproveitamento de alimentos passa também pelo processo de higiene no trato com as frutas e verduras e pelo correto armazenamento. Mas a preparação das receitas é o principal atrativo. Durante o I Festival de Alimentação Saudável, promovido pelo Sesc Ceará, um concurso de receitas de reaproveitamento de alimentos agitou a semana e possibilitou a popularização desse novo hábito e a troca de experiências entre participantes e promotores de oficinas do Sesc.

O resultado de algumas dessas receitas foi exposto para degustação e o público aprovou. O bolo de casca de abacaxi, o doce de casca de abóbora (jerimum) e o bolo de farinha de mandioca foram a sensação do festival. As vantagens das receitas de reaproveitamento são várias, desde a praticidade, ao teor mais saudável e baixo custo. A prática de utilizar todo o potencial nutritivo dos alimentos já é uma realidade vivenciada pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), no Interior do Estado.

O caju é um das frutas que têm seu potencial aproveitado ao máximo. Depois da retirada da castanha, que tem valor comercial, o pedúnculo era jogado fora pelos produtores há alguns anos atrás. Mas de uns tempos para cá é matéria-prima para 20 tipos de receitas, do licor e doce de caju, já tradicionais, ao hambúrguer de caju, o bife, a paçoca, o pastel, o biscoito e sopa, todos tendo o caju como principal ingrediente.

Iniciativas como essa desenvolvidas pelo Senar, além de evitarem o desperdício, incentivam o consumo de produtos regionais, resgatando a culinária local e evitando o consumo excessivo de produtos industrializados.