O INSTITUTO BRASILEIRO DE MEIO ANBIENTE E RECURSOS NA TURAIS RENOVAVEIS (IBAMA) AJUDOU A COMNBATER A BIOPIRATARIA.
Terça-feira Julho 29th 2008, 15:16
Arquivado em: Biopirataria

 

O INSTITUTO BRASILEIRO DE MEIO ANBIENTE E RECURSOS NA TURAIS RENOVAVEIS (IBAMA) AJUDOU A COMNBATER A BIOPIRATARIA. A superintendência do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Amazonas criou uma câmara técnica para combater a biopirataria no estado. A iniciativa foi motivada pela apreensão de borboletas e besouros no ano passado, que estavam em posse de um grupo de estrangeiros que veio a Manaus sob pretexto de fazer turismo.A biopirataria é o contrabando de material genético. Laboratórios estrangeiros têm acesso a plantas e animais do Brasil, de onde extraem princípios ativos que vão parar em medicamentos comerciais, sem que o país tenha qualquer remuneração. Em geral, os biopiratas se valem do conhecimento de populações tradicionais, como índios e ribeirinhos.Com o avanço das pesquisas genéticas no mundo inteiro - e as descobertas da engenharia genética - a diversidade biológica brasileira (uma das maiores, senão a maior do planeta) ganha cada vez mais importância. A biodiversidade brasileira tem potencial tão revolucionário para o país quanto a descoberta de petróleo teve para os países árabes.A câmara técnica criada agora vem discutindo, desde Segunda-feira, a estratégia de ação a ser adotada. A idéia é envolver, principalmente, as populações tradicionais da floresta. Participam da câmara técnica pesquisadores do Ibama, Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa), Universidade do Ámazonas (UA), Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e organizações não-governamentais.O número de casos de biopirataria da Amazônia é desconhecido, dada a falta de um estudo mais aprofundado sobre o tema. Mas, segundo o superintendente do Ibama no estado, Hamilton Casara, a exploração é muito grande e muita riqueza genética já foi retirada das florestas sem que se haja percebido. "Embora um pouco atrasados, agora estamos encarando a questão com mais intensidade~ diz.Estimativas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicam que até 1996 a Amazônia brasileira já havia perdido 12,9% de sua floresta. Em menos de 30 anos, uma área maior que a França foi destruída na região, num total de 600 mil quilômetros de mata devastada, a maior parte nos anos ao. Acredita-se, cpntudo, que o impacto sobre os ecossistemas da Amazônia tem sido muito maior que o estimado, pois é ineficiente o monitoramento de atividt1des relacionadas ao corte seletivo de madeira, à caça comercial e desubsistência, çlbiopirptaria, ô pesc.a e à p"'(!i~'(J, prinpipplmente a causada pelo mercúrio.Desde o seu desçobrimento, o Brasil despertou a cobiça mundltrl ~fauna e flora. A rica e preciosa biodiversidade sempre esteve na mira daqueles /l1fe chegam à região. Estima-se que 37% dos répteis, 47% dos anfíbios, 27% dos mamíferos, 43% dos pássaros e 34% das plantas,existentes no mundo ocorr~m nas florestas tropicais, das quais o Brasil detém um terço, principalmente na Amazônia. Aquele olhar estrangeiro de cobiça que permanece até hoje carrega mais do que simples curiosidade: traduz a certeza de que possuímos talvez a maior reserva de biodiversidade do planeta, e que nela estão contidas muitas respostas que ainda não chegaram ao conhecimento humano.Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), cerca de 100 espécies animais e vegetais desaparecem todos os dias da face do planeta. Em menos de 500 anos o Brasil já perdeu cerca de 94% do que era a Mata Atlântica, um dos principais ecossistemas do país - e são cada vez mais constantes as incursões nas florestas da Amazônia em busca de animais,plantas,insetos e sementes para fomentar o tráfico nacional e internacional, principalmente por parte de cientistas estrangeiros que buscam na fauna e na flora brasileira uma possibilidade de seus laboratórios faturarem a/to com a fabricação de novos medicamentos.O exemplo mais recente de biopirataria, que foi denunciado pelo Instituto Sócio Ambiental (ISA), é o sofrido pelos índios Wapixana, do estado de Roraima. Os indígenas requerem na justiça o direito sobre dois compostos farmacológicos originários de plantas da Amazônia, que foram patenteados na Europa e nos Estados Unidos com direito de propriedade para o químico Conrad Gorinsky, presidente da Fundação para Etnobiologia, com sede em Londres. Gorinsky viveu entre os Wapixana durante 17 anos, tempo em que, teve contato com a cultura, os costumes e os conhecimentos dos índios. . Quando retornou para a Inglaterra, levou com ele sementes do Bibiru (Octotea rodioei) e do Cunani (Clibadium Sylvestre) plantas medicinais de conhecimento milenar dos Wapixana.Da semente do Biriru, árvore comum na região da fronteira entre o Brasil e a Guianas, é extraída uma substância chamada Rupununnine que, de acordo com a cultura Wapixana, tem propriedades anticoncepcionais, promove a inibição do crescimento de tumores cancerígenos e controla o vírus da Aids. Do Cunani, é extraído o Cunaniol, que os índios utilizam para a elaboração de uma substância venenosa utilizada na pesca e que o pesquisador reconhece ser o mais potente estimulante do sistema nervoso central, podendo ser aplicado como anestésico em cirurgias de grande porte em que se faz necessária a parada dos batimentos cardíacos. Este é apenas um dos muitos casos registrados na Amazônia. O Brasil, além de ter sua biodiversidade ameaçada, perde anualmente uma quantia incalculável e irrecuperável com a biopirataria e tráfico de animais silvestres. ~omer~~m~~~~ert~w~~~enroanwmenre~~~ US$ 500 milhões e o princípio ativo desses medicamentos é retirado de algumas serpentes brasileiras, como a jararaca (Bothrops jararaca) Mas o maior fornecedor mundial de venenos ofídicos é a Suíça, que não possui uma única jararaca em seu território. A cotação internacional dos venenos ofídicos é altíssima. Um grama de veneno de Jararaca vale US$ 600. O da Cascavel (Crotalus), US$ 1.200. Recentemente foi descoberta em sapos amazônicos uma substância 247 vezes mais potente do que a morfina, algo que pode mudar todas as formas de tratamento com anestésicos no mundo. No ano passado, o mercado brasileiro de medicamentos e cosméticos movimentou US$ 18 bilhões, sendo 25% provenientes de produtos naturais. Os produtos da medicina alopática, baseados em plantas de usos indígenas, movimentam por ano no Brasil, recursos na ordem de US$ 700 milhões a US$ 1 bilhão. O mercado de produtos biotecnológicos para agricultura deve atingir US$. 10 bilhões.

Para o superintendente do Ibama Hamilton Casara, a questão da biopirataria é o problema grave, e a redução deste tipo de crime passa pela adoção de medidas drásticas por parte dos governos federal, municipal e estadual, através de investimentos para ciência e tecnologia. Ele acredita que a implantação do Centro Brasileiro de Biotecnologia (CBA), que deve começar funcionar em dezembro deste ano, é um passo importante no combate à biopirataria, porque irá atrair os pesquisadores e as pesquisas para a Amazônia. .0 CBA também contribuirá para reduzir a pressão sobre a Amazônia, porque irá permitir a exploração dos recursos de modo sustentável e ecologicamente correta~ afirma.

 Bruno  Rodrigues